ARRE, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.
Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!
Álvaro de Campos, 1890
Poesias
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“ARRE,
que tanto é muito pouco!” é um poema escrito por Álvaro de Campos, um dos
heterónimos de Fernando Pessoa.
Visto
que Pessoa elaborou uma biografia para cada uma das suas personagens
literárias, onde muitos vêem apenas um Álvaro de Campos, existem na realidade
uma variedade deles, isto porque esta personagem evolui como poeta, mais ou
menos ao lado do próprio Fernando Pessoa.
Vê-se
então que Álvaro de Campos passa de um sensacionalismo ou de um modernismo
instantâneo, de exaltação acerca da indústria e das máquinas para um Campos
derrotado na vida, rendido ao tédio.
Este
poema é curioso, pois nos dois últimos versos Campos revolta-se. Fala de si
mesmo e não do mundo exterior. O seu tom, embora exaltado, é um tom de
desilusão e apenas se serve da voz alta para reforçar a dor que sente no
seu interior.
No
entanto, o mais tocante para mim é a maneira como o poema se transforma
num relato poético do interior daquele que acusa. Ou seja, se Portugal está
mal, pior ainda está o poeta.
"Amor,
glória, dinheiro são prisões" é uma frase conhecida de Campos.
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