terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ARRE, QUE TANTO É MUITO POUCO!

ARRE, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.
Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!

Álvaro de Campos, 1890

Poesias

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“ARRE, que tanto é muito pouco!” é um poema escrito por Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa.
Visto que Pessoa elaborou uma biografia para cada uma das suas personagens literárias, onde muitos vêem apenas um Álvaro de Campos, existem na realidade uma variedade deles, isto porque esta personagem evolui como poeta, mais ou menos ao lado do próprio Fernando Pessoa.
Vê-se então que Álvaro de Campos passa de um sensacionalismo ou de um modernismo instantâneo, de exaltação acerca da indústria e das máquinas para um Campos derrotado na vida, rendido ao tédio.
Este poema é curioso, pois nos dois últimos versos Campos revolta-se. Fala de si mesmo e não do mundo exterior. O seu tom, embora exaltado, é um tom de desilusão e apenas se serve da voz alta para reforçar a dor que sente no seu interior.
No entanto, o mais tocante para mim é a maneira como o poema se transforma num relato poético do interior daquele que acusa. Ou seja, se Portugal está mal, pior ainda está o poeta.
"Amor, glória, dinheiro são prisões" é uma frase conhecida de Campos.


domingo, 29 de novembro de 2015

APRECIAÇÃO CRÍTICA À APRESENTAÇÃO ORAL REALIZADA NA ESCOLA BARBOSA DU BOCAGE

No dia 12 de novembro de 2015, deslocámo-nos até à Escola Barbosa Du Bocage no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa, numa apresantação sobre o grandíssimo Bocage.
Sentímo-nos nervosos nervosos logo quando entrámos na escola, pois sabíamos que teríamos uma grande responsabilidade, que era a de mostrar o nosso conhecimento sobre o poeta e incentivar os alunos a integrarem a discilpina de Literatura.
No que toca à apresentação em si, houve algumas falhas, mas no geral correu bem. Tivemos um grande espírito de equipa e uma boa organização em termos cronológicos.
Na nossa opinião, a segunda turma mostrou mais interesse e melhor comportamento do que a primeira.
Achamos que toda a turma gostou desta experiência, tendo que desenvolver as nossas capacidades nalguns aspetos.


Ricardo Ghiani, Altinino Gonçalves e Fabricio Canjani

sábado, 31 de outubro de 2015

BERNARDIM RIBEIRO EM "UM AUTO DE GIL VICENTE"

Eu sou Bernardim Ribeiro, o melhor poeta e trovador de cantares de amor da Corte de D.Manuel I. o meu tema favorito é a paixão e o amor que podem unir um homem e uma mulher. De entre os muitos textos que escrevi, todos eles a falar do meu amor profundo por aquela que é o sol da minha vida, a minha amada, o mais conhecido é "Menina e Moça".
Sou um escritor muito muito conhecido na Corte e foi aí que me cruzei com D.Beatriz, filha de El-rei D.Manuel , por quem passei a viver, ou seja, me apaixonei perdidamente. Sou um simples cortesão e não tenho forma nem maneira de cortejar uma infanta de tal linhagem. A única maneira de alimentar o nosso amor era através de breves olhares e sinais, quando era possível. Uma terrível notícia me assombrou os dias: D.Beatriz ficara noiva de Carlos III de Sabóia. Mesmo sendo inevitável esta união, não deixei que isso me deitasse abaixo. Existia um pretendente a escritor que fazia umas sátiras para entreter a Corte e estava nesse momento a preparar a representação das "Cortes de Júpiter", texto de despedida da infanta antes de partir para França. Para estar perto dela mais uma vez, tive que fazer algo desonesto. Disfarcei-me de moura Taes, mas infelizmente fui reconhecido pelo rei D.Manuel, portanto o meu plano não resultara. Algum tempo depois, a bela infanta partiu rumo ao seu destino, porém ainda a consegui ver mais uma vez, tendo oportunidade de lhe declarar o meu amor.